Desejos

Abril, 13 2008

 

Às vezes me perco na tentativa de compreender certos quereres. Os porquês de certas ânsias e angústias do desejar.

Parece que o tempo todo ingoramos o que já temos, e nos dedicamos a desejar algo novo. Aparentemente nos fascina mais o ato de exercer o desejo do que o de exercer a posse. Não ouço pessoas (às vezes até ouço) dizendo que estão satisfeitas com o que conseguiram, a não ser que o objeto possuído tenha sido adquiro há poucos instantes. Mas as vejo (incluindo a mim, certamente) constantemente enumerando os seus anseios, aquilo que gostariam de ter se.. se ganhassem uma boa grana; se ganhassem na loteria; se o mundo não fosse como é; enfim, todo mundo tem aquela listinha de coisas que gostaria de ter se não fossem os obstáculos que o mundo coloca à sua frente.

A gente passa a vida desejando tantas coisas, almejando tantos objetivos, que se esquece de aproveitar o que tem, ainda que seja modesto, ainda que não seja o “último modelo”.

Eu fico aqui, no hotel, me envenenando com os meus quereres, com os pensamentos do que deveria ter sido e não foi (ainda) somados aos que deverão ser um dia, que não páro para observar a cidade.

Em meus próximos finais de semana, tentarei não ser tão amargo, e vou admirar o que tenho perto de mim, deixando um espaço para os sonhos mas sem me ausentar da realidade imediata que apesar de me agredir, pode ter algo de encantador ainda não explorado.

Vida longa!


A hora infinita

Abril, 4 2008

 

São 20:53 de 03 de abril de 2008. Estou no aeroporto sem internet porque a rede na qual eu costumo pegar uma carona não estava acessível hoje.

A quantidade de gente que circula por aqui é realmente algo impressionante. Vê-los agitados, apressados, aborrecidos, correndo de um lado para o outro do saguão, chega suscitar um sentimento de pesar.

Papo-furado de mim comigo mesmo nessa hora infinta.

Saludos!


A lei de Deus

Abril, 1 2008

 

“Não matarás”

“Não matarás”

“Não matarás”

“Não matarás”

“Não matarás”

“Não matarás”

 

Quando “Ele” ditou essa linha, não havia mesmo uma exceção para quem trabalhasse com consultoria? Será?


A substituição da foto

Março, 29 2008

A página com conteúdo fixo “Eu“, na qual eu faço um breve-brevíssimo relato de quem eu sou (como se soubesse…), foi atualizada hoje. Pra ser mais exato foi atualizada neste momento.

O que acontece é que o Júnior me disse que a foto que estava na página não estava muito boa porque ele parecia bem mais velho. Só que isso me trouxe um impasse: quando mais nova for a foto, mais velhos todos nós pareceremos. Desta forma, não adianda eu “atualizar” a foto. Foi aí que ele me explicou que não era bem isso que ele queria dizer, e que o problema era o seu estado pessoal (acabado) que havia sido registrado na ocasião. Assim, ainda com a mente entorpecida pelo paradoxo, troquei a infeliz da foto e coloquei outra bem mais recente em que ele, contra todas as probabilidades da natureza, aparece mais novo.

Eu sei que você vai dizer que a foto parece capa de CD de grupo de pagode. Mas eu juro que não era essa a intenção. Era apenas (eu juro) um teste da câmera do notebook que o Fábio havia me vendido fazia 10 minutos (observe que ele é o mais ‘contente’ da foto). O Fábio, apesar de ser o “do meio” da foto, é o caçula. O verdadeiro “do meio” é o Júnior, que é o que está à direita (olhando para a foto e não para a câmera). Mas me apresso aqui a explicar que o Jùnior é o “do meio” no que se refere a ser “irmão do meio”, e isso não tem nenhuma ligação com suas inclinações políticas de “terceira via” e muito menos sexuais.

A felicidade do Fábio é claramente explicada pela venda do notebook, mas a do Júnior… não sei… mas eu acho que ele ganhou alguma comissão nessa venda. Por que será que só eu não estou “sorri-dente” nesta foto?

No final, o que importa mesmo é o espírito fraterno, sem jamais nos esquecermos de nosso lema: “irmão que engana irmão, tem cem anos de perdão”.

Saludos!


Agora sim…

Março, 29 2008

Sempre ouvi que a divina providência nos dá uma “força” quando estamos frente aos grandes desafios de nossas vidas. E hoje eu pude comprovar esta afirmação.

Eu já estava cansado de não ter assunto para postar e, de repente, navegando na blosfera, deparei-me com um chamamento que (com o perdão do trocadilho) chamou-me a atenção. Tratava-se de uma campanha que convidava (e ainda convida) a todos a participarem de uma gloriosa campanha da qual me recuso a manter-me alheio. Trata-se do “Dia Mundial para estar falando como Operador de Telemarketing”, cujo link segue abaixo (é só estar clicando na figura que vai estar aparecendo nesta página, logo abaixo deste parágrafo, que o senhor estará sendo direcionado para o blog que hospeda a intimação).

 

dia_telemarketing2.jpg

 

Estou com preguiça de comentar este assunto, então deixarei para outro momento. Mas a campanha certamente irá estar dando o que se estar falando.

 

Vida longa!


A paternidade, a distância e o pão de cada dia

Março, 8 2008

 

Ingenuamente eu poderia afirmar, simplesmente, que nos nossos dias está se tornando muito difícil conciliar as funções de pai, marido, profissional e "dono-de-casa". É, dono-de-casa, sim, porque quando eu estou no aconchego do meu lar, gosto de cuidar de minha família, apesar de que, ultimamente, os tenho submetido às minhas terríveis seções de aprendizado culinário (adivinhe quem são os "provadores"?).

Entretanto, mesmo correndo o risco de ser ingênuo, vou tentar levar a diante algumas reflexões que me têm incomodado.

Todo conteúdo que leio a respeito da vida, alerta para alguns fatos que estão se tornando comuns em nossa sociedade, mas parece que ninguém percebe.

Alertam-nos para:

  1. Cuidar do trabalho;
  2. Cuidar da família;
  3. Cuidar de si mesmo;
  4. Poupar dinheiro;

E mais uma infinidade de coisas com as quais "devemos nos preocupar", e às quais temos que dar atenção.

O problema é que o trabalho torna-se uma carnificina da qual sair vivo ao final de cada dia (que a cada dia se torna mais difícil de chegar) já pode ser considerada uma honrosa vitória. Cuidar da família, após sobreviver ao massacre do dia de trabalho, é mais algo como entregar o que sobrou de si àqueles em nome dos quais você faz "tudo isso".

Sem contar as inúmeras situações que nos levam a permanecer longos períodos longe da família, uma vez que o mundo globalizado nos leva para lá e para cá ao sabor dos ventos do dinheiro. Pra onde ele sopra, lá vamos nós.

Cuidar de si mesmo é algo sempre lembrado pelas políticas de RH das empresas, mas que, definitivamente, não condiz com as práticas diárias do ambiente organizacional (mas este ponto só vale para a Nova Zelândia). É algo como "ser cristão". Normalmente, vale para os outros.

Poupar dinheiro é uma arte, sem dúvida. Mas gerar uma necessidade que não existe e transformar as crianças em máquinas de desejos através de peças de marketing utilizando ferramentas psicológicas que se sofisticam em precisão e creldade a cada campanha dá muito mais retorno financeiro.

Desta forma, a humanidade está criando seu próprio inferno, onde as ilhas de paraíso são bolhas artificiais, onde tudo e todos têm um preço, onde você só vive o que se pode pagar.

Mas pode ser que eu esteja enxergando tudo com cores fortes demais. Uma vez vi em um documentário da TV algo que talvez explique este nosso momento. Dizia o estudioso que

em cada época a humanidade escolhe sua forma de nascer, viver e morrer

Dá o que pensar.

Vida longa!


O show tem que continuar…

Setembro, 30 2007

Bem, agora que “tudo” passou, a vida segue. O Renan se safou, o acidente da TAM já foi esquecido, o acidente da GOL fez aniversário (e só por isso é que foi lembrado). Enfim, a vida vai continuar.

E nosso país vai continuar sendo exatamente o que é, simplesmente porque nós continuamos a ser exatamente o que somos.

“…tudo é poeira que passa…”


Os bovinos “a nível” de vaca

Junho, 27 2007

Para poder dar um excelente exemplo de quão perscrutadora é a inteligência humana (?), vou lhes dizer o que aconteceu hoje, dia vinte e sete de junho de dois mil e sete, às margens plácidas da rodov. dos Bandeirantes. É… essa rodovia bonita, ampla e bem sinalizada no estado de São Paulo. Pois saibam que ela serviu de testemunha à uma discussão que, se não chega a ser filosófica, tem muito de anatômico-fisiológica.

Estávamos eu mais dois amigos, cujos nomes não posso revelar por motivos de segurança, caminhando após o almoço, na área externa de uma empresa cliente, quando, subitamente, vimos um pequeno rebanho de bovinos pastando serenamente num grande terreno vizinho.

Paramos para analisar aquela cena bucólica por alguns instantes… Eu disse alguns instantes.. Não se passaram 15 segundos… e começou a discussão:

- Olha lá… Aquele boizão deve ser o “chefão”.

- É.. parece mesmo! O bicho é grande pra caramba!

- Olha só: aquela posição pata dele é como se fosse, em termos humanos, quando o chefe recosta a cadeira e põe o pé sobre a mesa. Ou seja: aqui mando eu!

A prosa foi rolando, e as observações variavam da cor do mato, passando pela busca dos possíveis donos dos bichos, chegando à serenidade bovina.

De repente, alguém manda à queima-roupa:

- Será que aquela vaca não se incomoda por ficar com o c. sujo?

O outro o repreendeu:

- Que c. sujo que nada, rapaz.. Olha lá… Tá limpo! Só está sujo quando tem “curso” (que depois ficou explicado como sendo um tipo de diarréia bovina).

Como eu não podia ficar de fora de tão edificante discussão, apressei-me por complementar:

- Olha lá.. Olha lá… ela usa o rabo para manter o c. sempre limpo;

 

- Mas o rabo não é para espantar as moscas?

 

- Não, cara. Não é só para espantar moscas. Veja só o movimento de “limpador” que ele faz. Ele cumpre dois papéis: um é o de espantar as moscas; o segundo, manter o c. limpo.

 

- Não, Paris… Não é não.. O rabo não dá conta de limpar tudo.. Tá sujo, cara!

 

- Não “tá”! Só parece que está…

 

E ficamos nós ali. Três homens adultos, todos casados e com filhos, trabalhadores e um pouco inteligentes, discutindo se o c. da vaca estava ou não estava sujo.

 

A discussão se estendeu por, no mínimo, uns dez minutos. Dez minutos!!!! Vocês sabem o que é isso?

 

E o pior é que não houve consenso: quem começou achando que estava sujo, terminou a prosa com a mesma opinião, Da mesma forma, quem começou achando que estava limpo, concluiu que assim era. Eu me restringi a tentar explicar que o rabo possui a função higienizadora, sem buscar compreender se ele cumpre bem ou não a sua tarefa.

 

E não adianta vir me perguntar….eu não terei respostas.

 

Vou sugerir que perguntem para os outros dois.

 

Vida Longa!

 

Paris


A casa caiu!

Maio, 16 2007

Os bingos começaram a ser fechados em São Paulo, e eu sou a favor. Sou a favor do fechamento dos bingos e da retirada dos outdoors. Sou a favor do cumprimento da lei. Não estou discutindo a lei.

Veja bem, eu não gosto da idéia de que várias pessoas perderão seus empregos, e de que várias famílias perderão seu sustento. Inclusive, conheço uma delas e sei o quanto essa história está saindo caro para eles. Entretanto, sou a favor de que a lei seja cumprida. “Dura lex sed lex”

Ninguém se preocupa com as discussões que ocorrem nas Câmaras Municipais, nas Assembléias Legislativas ou no Congresso Nacional, aí, quando a lei é publicada e a polícia parte para fazê-la ser cumprida, aparecem os defensores das minorias, dizendo que “esta lei é um absurdo”.

Absurdo é a nossa omissão. No mais, segura as pontas, malandro, que a casa caiu!

Veja a prova aí abaixo: (este é um bingo que ficava ao lado da estação São Judas do metrô).


Visão do inferno

Maio, 15 2007

O trânsito de São Paulo é terrível. Essa afirmação já não abala mais ninguém. É como comentar a morte de 20 pessoas na explosão de um carro bomba no Iraque. Não é mais um comentário. Soa como um espirro, ou outras manifestações incontroláveis do corpo. Assim, como um nada, dito ao léu.

Tenho vivenciado, nos últimos meses, o aumento do tráfego na região do Sacomã, onde a av. Tancredo Neves passa a se chamar Juntas Provisórias. Por lá passam TODOS os paulistanos. TODOS, sem exceção, se dirigem para aquela região, ou, mais precisamente, para aquele trechinho de avenida. Não sei o que os atrai até lá, mas estão lá.

Uma boa explicação talvez seja que a sociedade, inconscientemente, viva uma grande festa. Poderia afirmar isso até com alguma certeza, não fosse o fato de eu estar lá, uma vez que não sou afeito a aglomerações. Mas vamos considerar a hipótese da grande festa. O legal é que cada um ouve o seu som. Então, não tem essa de dizer que o “som estava uma m…”. A festa está lá e cada um curte o seu barato. Como todos estão de carro, cada um vai embora a hora que quer… bem… se os “colegas” o deixarem ir, é claro. Afinal, você não vai querer sair no melhor da festa…
Sabemos quem fica com quem quando passamos em frente ao motel Delirium. É que, quem sai do motel, encontra o trânsito travado… e todo mundo fica olhando e pensando: “putz.. eu preso nesse trânsito dos diabos e o bacana na boa… saindo do motel…” (eu não penso isso, só estou relatando o que os “outros” pensam. Porque eu sou um cara com a mente limpa – aliás, qualquer hora escreverei sobre a minha mente limpa … qualquer hora dessas).

Bem, voltando à explicação da festa inconsciente… bem…. vou parar de explicar demais e vou mostrar uma prova material. Veja a foto aí embaixo. Veja se não é uma visão do inferno, com direito a arco-íris e tudo mais???
(tudo bem que o fotógrafo colaborou com sua imperícia, mas o cenário realmente é surreal)