Às vezes me perco na tentativa de compreender certos quereres. Os porquês de certas ânsias e angústias do desejar.
Parece que o tempo todo ingoramos o que já temos, e nos dedicamos a desejar algo novo. Aparentemente nos fascina mais o ato de exercer o desejo do que o de exercer a posse. Não ouço pessoas (às vezes até ouço) dizendo que estão satisfeitas com o que conseguiram, a não ser que o objeto possuído tenha sido adquiro há poucos instantes. Mas as vejo (incluindo a mim, certamente) constantemente enumerando os seus anseios, aquilo que gostariam de ter se.. se ganhassem uma boa grana; se ganhassem na loteria; se o mundo não fosse como é; enfim, todo mundo tem aquela listinha de coisas que gostaria de ter se não fossem os obstáculos que o mundo coloca à sua frente.
A gente passa a vida desejando tantas coisas, almejando tantos objetivos, que se esquece de aproveitar o que tem, ainda que seja modesto, ainda que não seja o “último modelo”.
Eu fico aqui, no hotel, me envenenando com os meus quereres, com os pensamentos do que deveria ter sido e não foi (ainda) somados aos que deverão ser um dia, que não páro para observar a cidade.
Em meus próximos finais de semana, tentarei não ser tão amargo, e vou admirar o que tenho perto de mim, deixando um espaço para os sonhos mas sem me ausentar da realidade imediata que apesar de me agredir, pode ter algo de encantador ainda não explorado.
Vida longa!
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Escrito por Luciano Paris
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