Hoje foi domingão. E como todo domingo que se preze, almoçamos em família.
Observando a mesa, pude perceber o quanto todo aquele universo, completo, significa para mim. Tendo vindo de uma rotina que me matinha distante por longos períodos, eu defendia para os atuais colegas de trabalho que fazia questão de almoçar todos os dias na companhia de meus filhos para compensá-los pela distância que tínhamos vivido por tanto tempo.
Eu não poderia estar mais equivocado.
Em minha arrogância cega, eu colocava a mim mesmo como sendo o centro desse universo. Como sendo eu o pretenso provedor de algum equilíbrio e da energia da vida que pulsa nesse cosmo que compartilhamos. Errado!
Não são eles que precisam de mim. É exatamente o contrário: eu sou quem precisa deles. Faço questão de almoçar todos os dias com eles não porque creio que os ajude em algo ou os recompense com minha "iluminada presença", mas porque eu preciso deles. Preciso estar com eles. Preciso recarregar as minhas energias em sua fonte. Preciso encontrar, a cada meio expediente trabalhado, algum sentido para esse caos que vivo quando navego pelas fronteiras do mundo exterior. Preciso ouvir suas vozes e certificar-me de que eles estão ali, ao alcance de minhas mãos medicantes de amor.
É assim que nós, pais, caminhamos. Fazendo pôse de necessários, mas sabendo, bem no fundo, que somos apenas a transição. Eles é que são a vida. Não temos filhos porque somos bonzinhos. Temos filhos porque sabemos que não somos muita coisa sem eles.
Amanhã certamente estaremos juntos para o almoço, uma vez mais. Mas meu olhar não será o mesmo. Os verei chegarem cansados da jornada matutina, os acolherei, e pedirei humildemente: Venham, crianças, almocem com o papai.
Vida longa!
Escrito por Luciano Paris 


