Eu não comentei aqui o desastre do avião da TAM. Sem dúvida nenhuma uma das grande tragédias de nosso país.
Não queria comentar o acidente porque, simplesmente, não sabia por onde começar e muito menos, onde terminar. Não é um fato sobre o qual se possa emitir uma opinião sem, no mínimo, parecer mal-informado, superficial ou mesmo insensível.
Foi um fato gravíssimo, ceifou duas centenas de vidas, marcou a história da aviação brasileira e encerrou a história de famílias inteiras. Não há como comentar isso. Simplesmente, uma modesta menção de condolências aos brasileiros que foram atingidos por este desastre.
Mas o que não poderia passar sem nota é a conclusão que se avizinha: “O piloto errou!”
Puxa vida! (tentei escrever o que você está pensando, mas meus filhos podem ler…)! Encontraram os responsáveis: foram os pilotos. Mas é claro! Ambos com vinte anos de experiência. Homens habituados a subir e descer nestes céus de nosso país. Milhares de horas de vôo cada um. Quem sabe, não é? Talvez eles estivessem chateados com alguma coisa, talvez, talvez…
Mais uma vez, neste meu país, as vítimas vão levar a culpa. Como no caso do Ministro Paloci, em que o culpado de tudo era o caseiro. Como no caso PC Farias a culpada (!) era a moça que namorava com ele (que foi assassinada junto, lembra-se?).
Provavelmente, no caso do presidente do Senado, o Sr. Renan Calheiros, vão descobrir que a culpa é a recepcionista do motel. É… ela foi a culpada pelo fato de o nome dele estar ligado a tanta picaretagem, certamente.
Mas voltando ao caso do vôo 3054 (meu Deus! eu até decorei esse número), as investigações têm apontado para falha dos pilotos.
Agora está tudo explicado: na verdade, o que aconteceu é que os pilotos, em um dia de folga, foram ao Bahamas e o garçom lhes serviu uma caipirinha com pouco açúcar. Aí, eles pensaram assim: “vamos complicar a vida do Oscar. Vamos produzir o acidente fenomenal de forma que a prefeitura vai querer derrubar o prédio dele e fechar o Bahamas. Ele vai ver só quem é que manda aqui.”
E pronto!
Você viu? Estava tudo óbvio. Nós é que não estávamos percebendo: na verdade, a culpa é do garçom! Mas essa é uma OUTRA investigação… Por hora, temos que descobrir as verdadeiras motivações dos pilotos.
Era por isso que eu não queria comentar o fato. Não há o que comentar. Qualquer coisa que se escreva é um equívoco.
Minha solidariedade às famílias marcadas por esta tragédia. Que encontrem forças para seguir em frente, e compreendam que qualquer conclusão a que cheguem as investigações não trará seus entes queridos de volta e, infelizmente, não parece que servirão para melhorar a segurança de nosso céu que há muito não é de brigadeiro.
Portanto, não se prendam ao chavão “queremos justiça” porque a justiça é obra dos homens. De homens iguais aos que estão lá para aplicá-la. E que estão mais interessados em obter alguma vantagem para si que para, efetivamente, ajudar o nosso país.
Sigamos em frente, enquanto os nossos representantes nos permitirem. Enquanto não nos acusarem de sermos os culpados pela mosca em seu caviar.
Saludos,
Paris