Esta semana enviei minhas roupas para a lavanderia.
No dia marcado para a devolução, cheguei no hotel e lá estavam as peças sobre a cama. Tranquilo. Até aqui nada de anormal. Nada que pudesse tirar a paz de alguém já acostumado com essas questões que envolvem os que vivem longe do lar.
Guardei as peças e, após os trâmites ordinários de fim de dia, fui dormir.
No dia seguinte, tive uma intuição. Uma voz me dizia aos ouvidos: “Paris, verifique a roupa… Paris, verifique a roupa…”. Depois de ter a paciência esgotada com aquela voz insistente (a voz vinha do quadro na parede… sério!), fui verificar a roupa. E, para minha surpresa, não estavam lá as minhas cuecas nem minhas meias.
Por um segundo, pensei que elas poderiam estar injustamente esquecidas em algum canto da recepção do hotel. Liguei imediatamente para lá e, um pouco sem-graça, expliquei à mocinha que eu havia recebido as roupas da lavanderia no dia anterior, porém faltavam algumas peças.
A mocinha prontamente disparou (como o fazem os operadores de telemarketing ao “narrarem” aqueles textos que estão aparecendo para eles no monitor do computador): “Senhor, nós não mantemos nenhuma roupa aqui embaixo. Ao chegar da lavanderia, ‘automaticamente’ (eu juro que ela disse ‘automaticamente’) o mensageiro as leva para o quarto do hóspede”.
Eu não vou analisar o ‘automaticamente’ porque mereceria não um post, mas um site exclusivo para o tema. Poderia ser algo do tipo: “O ‘automaticamente’ como elemento de justificativa autômata aplicado à dissipação de dúvidas perante a incapacidade do fazer autônomo”. Mas não vamos discutir isso aqui agora.
Voltando ao meu drama, eu insisti com a mocinha, argumentando que se tratava, provavelmente, de um pequeno embrulho, pois as peças que estavam faltando eram… (acredite, eu disse isso) minhas cuecas e meias (a esta altura, uma pessoa normal estaria procurando um burado para enfiar a cabeça) e que talvez estivessem em algum cantinho da recepção (em bom português: caralho caramba, devem estar jogadas numca canto qualquer por aí). Mas perante a negativa enfática, desisti, conformado, e pensei comigo: quem sabe a lavanderia não se equivocou e enviou para outra pessoa. O caro leitor do sexo masculino pode imaginar bem o drama: suas cuecas e meias sendo usadas por outro figura. SEM CHANCE!
Eu já estava meio puto aborrecido com isso tudo. Não iria deixar barato o sumiço de minhas roupas.
Chegando ao escritório, apressei-me em ligar para eles e informar o infortúnio.
A senhora que me atendeu me disse que ela mesma viu o “pacote” (“pacote”??? Não são drogas, são as minhas cuecas e meias! Mais respeito!) ser colocado no carro de entregas, que já haviam passado por problemas semelhantes no mesmo hotel, e que seu marido iria verificar.
Passada uma hora, liguei novamente e, para meu alívio (aí sim, pude começar a trabalhar pois “todos os meus problemas se acabaram-se”) a dona respondeu que estava tudo certo, e que as minhas cuecas e meias haviam ficado dentro do carro e eles já haviam providenciado a entrega.
UFA!
Bem, depois de todo o drama, finalmente eu tinha de novo em meu poder as minhas cuecas e meias… minhas cuecas e meias!! ah.. Maravilha!
E que fique o exemplo para aqueles que se sentem “injustiçados” com temas que envolvem suas cuecas e meias… Lutai!!! Não desistais!
E quando a lavanderia devolver suas roupas, a primeira pergunta deve ser: “¿Donde están mis calzoncillos y mis medias?”.
Vida longa!