Minhas crianças já estão grandinhas. Estão lindos e já vão para o colégio sozinhos. Mas na segunda-feira, no horário em que elas já deveriam estar chegando em casa, recebo uma chamada (a cobrar) de minha filha:
- Pai…(pela pausa após o “pai…” eu já gelei)
- O que foi, filha?! O que foi?!
- Pai… o Lucas…
- O que tem o seu irmão, filha?! Diga logo?!
- O Lucas sumiu…
O chão também sumiu debaixo de meus pés. Nessa fração de segundos, meu mundo ruiu.
- Como assim, minha filha?! Como “sumiu”?! ONDE ESTÁ O SEU IRMÃO, CAMILLE?!
Nisso, a minha esposa me ouve aos berros ao telefone e já vem com cara de choro, e nos desesperamos.
- Pai… o Lucas foi na farmácia pesar e eu estava na loja ao lado…
- Mas como assim “na farmácia”?! E por que você não estava com seu irmão?! Pergunte a alguém aí na farmácia! PERGUNTE!
E ela insiste:
- Pai, eu já perguntei. Um “moço” viu o Lucas. Pai.. o Lucas não está mais aqui.
Foi a maior das sensações de desespero que já senti em minha vida. Eu já me imaginava largando o emprego, largando TUDO e tornando a busca por meu filho a única razão de viver.
A sensação é de que algo congela você por dentro.
De repente, ela me diz:
- Pai… O Lucas está do outro lado da rua.
(UFA!)
Então, eu tinha o meu filho de volta! Mas demorei algumas horas para que toda a adrenalina de meu corpo voltasse aos níveis normais. Enquando isso, ficava dividido entre a alegria de ter meus filhos e o emputecimento a raiva pelo susto que eles me deram, independentemente de seus motivos.
O ocorrido foi que o Lucas disse à Camille que ele havia esquecido sua pasta no colégio e que voltaria para buscá-la. Entretanto, a Camille, entusiasmada com alguma coisa que ela havia visto na vitrine da loja ao lado da farmácia, não ouviu a mensagem do irmão. Ou seja: ela achava que ele estava na farmácia e ele achava que ela sabia que ele havia retornado para a escola para buscar sua pasta.
A sensação de perda, de impotência, de fim-de-mundo, é indescritível, e é melhor mesmo ser esquecida.
São as tais dores do crescimento: não podemos cortar as asas de nossos “pajaritos” porque eles têm que crescer e aprender a voar, mas o nosso coração de pai ficará sempre nas mãos, enquando eles voam, serelepes, em direção ao domínio de seu quinhão de céu.
Vida longa!




Maio, 31 2008 às 16:44 |
Paris, por incrível que pareça, somos colecionadores.
Maio, 31 2008 às 17:44 |
Colecionadores de sustos, meu caro?