De mulheres e cachorros

Maio, 31 2008

 

Antes de mais nada, quero deixar claro que eu não me dou bem com cachorros e JAMAIS realizaria a troca sugerida pelo texto que vou apresentar.

Assim, me desculpem as mulheres (principalmente a minha querida esposa), mas encontrei um post “animal” no blog de um camarada chamado Danilo Pereira.

Não vou comentar porque o post dispensa comentários. Veja por você mesmo: Melhor cachorro do que mulher

Vida longa! (a todos os citados)


A aviação, as comunicações e as vacas que voam

Maio, 26 2008

 

Eu gostaria de saber que estranhas, ocultas e poderosas forças do além movem uma pessoa a ligar o celular quando a aeronave mal tocou o solo. Talvez sejam as mesmas forças que fazem as vacas voarem nos pesadelos lissérgicos.

Chegando agora de Vitória, no vôo 1657, eu presenciei o idiota que estava ao meu lado pedindo, insistentemente, à sua esposa (eu acho que era esposa, porque ela colocava a mão “procurando” as dele, mas o mastodonte ficava impassível, com os braços cruzados. Se ela fosse namorada ou amante, ele não apostaria nesta indiferença) que lhe passasse seu celular. Quando “aportamos” no finger, o babaca cidadão me liga a porra porcaria do celular que, por sua vez, começa a apitar (aqueles avisos de recebimento de mensagens), e ele (o babaca cidadão) começa a narrar: “9973 32xx, Fulano de Tal”.

Realmente, eu imagino que este “Fulano de Tal” deva ser alguém muito importante para que o babaca a azêmola quisesse ter sua imagem vinculada à dele. É como se dissesse: “Vejam só! EU recebo ligações do FU-LA-NO-DE-TAL”.

E novas mensagens continuavam chegando: avisos de mensagens recebidas off line, avisos de ligações perdidas, etc.

A certa altura, a moça, que já era merecedora não de minha admiração, mas de minha compaixão, também liga o seu celular que, a seu turno, também começa a apitar. Mas eu acho que a dona tinha algum problema auditivo (ou deveria trabalhar em uma oficina de funilaria) e colocava o volume da campainha no máximo.

O povo da fileira de trás, uma turma de jovens bastante animada, porém civilizada, começa: “Êpa. Olha o celular! Olha o celular!”

E ficava eu ali, pensando em como mandar aqueles dois desligarem aquelas maquininhas infernais. Mas sem muitos argumentos, porque eu também não tenho certeza se o que eles estavam fazendo era totalmente errado.

Em minha cabeça, o regulamento é muito claro, mas porque para algumas pessoas a coisa parece nebulosa?

Eu explico o porquê. É porque o regulamento também tem os seus problemas, quando diz (no momento do embarque) que “os celulares poderão ser usados enquanto  a aeronave estiver no solo, com as portas abertas e os motores desligados”. Assim, ao chegar no destino e depois de mais de uma hora sem falar ao telefone, as pessoas e as não-pessoas também, se sustentam no fato de que o avião está “com as portas abertas e motores desligados”, para poderem saciar sua obsessão por falar ao telefone.

Outra incoerência do regulamento é que, durante o embarque, mesmo permitindo que se utilize o celular dentro da aeronave “com as portas abertas e os motores desligados”, é recomendado que, ao sair da sala de embarque em direção à aeronave, o passageiro desligue o seu celular.

Então, vejamos:

  1. Quando estou na sala de embarque, posso usar o celular;
  2. Quando saio da sala de embarque, tenho que desligar o celular;
  3. Quando estou dentro da aeronave “com as portas abertas e os motores desligados”, eu posso usar o celular;
  4. Durante o vôo eu NÃO POSSO usar o celular;
  5. Após a aterrissagem eu continuo não podendo usar o celular;
  6. Ao aportar no finger, com “as portas abertas e motores desligados”, eu posso usar o celular;
  7. Ao sair da aeronave em direção à área de desembarque, eu não posso usar o celular;

É MUITA confusão pra cabecinha do cidadão, não é? Como é que o cabra vai dar conta de tanta informação de uma só vez, e em um só vôo? Deveria haver um folder com essa combinação de regras, que fosse distribuído ao indivíduo no momento do check-in e fosse feita prova oral (não.. não é o que você está pensando) no momento do acesso à sala de embarque.

Enquanto as coisas não ficam claras, os “espertos” se utilizam do benefício da dúvida e usam a porra porcaria do celular seja lá com portas abertas e motores desligados, portas fechadas e motores desligados, portas abertas e motores ligados, portas fechadas e motores ligados.

E tudo isso por um único motivo: as estranhas, ocultas e poderosas forças do além que fazeem as vacas voarem.

Vida longa!


A gasolina nossa de cada dia

Maio, 26 2008

 

Depois de alguns dias viajando a trabalho, regresso ao aconhego de meu lar. E, a cada retorno, descubro muitas coisas interessantes a respeito de minha família e o quanto eu dependo de cada um deles. Certamente eles acreditam dependerem de mim, de alguma forma, em função do suporte material que eu, no cumprimento do sagrado dever de pai e marido, lhes provenho. Mas quem é totalmente dependente sou eu, sem sombra de dúvidas.

Como uma grande parceira nesta empreitada, tenho minha esposa e companheira, que administra o caos durante minha ausência (e porque não dizer: durante minha “presência” também, já que eu não costumo ajudar muito no quesito “administração do caos”).

Entretanto, algumas vezes sou surpreendido com novidades que eu dispensaria se fosse consultado com antecendência (o que certamente não irá ocorrer jamais pois se nem consultado sou, querer sê-lo com antecendência é, no mínimo, uma presunção).

Desta última vez, minha esposa me disse que o “carro não está lá muito bom”. Em suas palavras:

“… Eu não sei o que está acontecendo… Será que pode ser a gasolina?”

Então, eu imaginei : Claro! É a gasolina.

- Amor, você não abasteceu naquele posto que já nos trouxe problemas, não é?

Pela carinha que ela fez, pude perceber que ali estava o problema do carro. Ou seja, não era outra coisa que não a maldita da gasolina colocada num posto tranqueira enrustido. É… tranqueira enrustido é aquele posto que um dia teve a distribuição Petrobras, por exemplo, mas mesmo depois de perder o credenciamento, manteve os banners para enganar os trouxas ingênuos desavisados.

Já abastecemos neste tal posto e o resultado, na época foi o mesmo: o carro “rateava” e parecia que o motor ia parar a qualquer momento. Perdia potência e, ao ser “exigido”, não respondia.

Para quem mora em Vitória, fica a recomendação de não abastecerem neste posto que fica na Av. José Rato*. Por outro lado, recomendo um que fica na Dante Michelini*, com o qual nunca tive problemas. Vale a pena sair de Jardim Camburi e ir abastecer quase em Jardim da Penha e ainda aproveitar para curtir a orla.

Vida longa!


As crianças, as pedras do caminho e o coração de pai

Maio, 26 2008

Minhas crianças já estão grandinhas. Estão lindos e já vão para o colégio sozinhos. Mas na segunda-feira, no horário em que elas já deveriam estar chegando em casa, recebo uma chamada (a cobrar) de minha filha:

- Pai…(pela pausa após o “pai…” eu já gelei)

- O que foi, filha?! O que foi?!

- Pai… o Lucas…

- O que tem o seu irmão, filha?! Diga logo?!

- O Lucas sumiu…

O chão também sumiu debaixo de meus pés. Nessa fração de segundos, meu mundo ruiu.

- Como assim, minha filha?! Como “sumiu”?! ONDE ESTÁ O SEU IRMÃO, CAMILLE?!

Nisso, a minha esposa me ouve aos berros ao telefone e já vem com cara de choro, e nos desesperamos.

- Pai… o Lucas foi na farmácia pesar e eu estava na loja ao lado…

- Mas como assim “na farmácia”?! E por que você não estava com seu irmão?! Pergunte a alguém aí na farmácia! PERGUNTE!

E ela insiste:

- Pai, eu já perguntei. Um “moço” viu o Lucas. Pai.. o Lucas não está mais aqui.

Foi a maior das sensações de desespero que já senti em minha vida. Eu já me imaginava largando o emprego, largando TUDO e tornando a busca por meu filho a única razão de viver.

A sensação é de que algo congela você por dentro.

De repente, ela me diz:

- Pai… O Lucas está do outro lado da rua.

(UFA!)

Então, eu tinha o meu filho de volta! Mas demorei algumas horas para que toda a adrenalina de meu corpo voltasse aos níveis normais. Enquando isso, ficava dividido entre a alegria de ter meus filhos e o emputecimento a raiva pelo susto que eles me deram, independentemente de seus motivos.

O ocorrido foi que o Lucas disse à Camille que ele havia esquecido sua pasta no colégio e que voltaria para buscá-la. Entretanto, a Camille, entusiasmada com alguma coisa que ela havia visto na vitrine da loja ao lado da farmácia, não ouviu a mensagem do irmão. Ou seja: ela achava que ele estava na farmácia e ele achava que ela sabia que ele havia retornado para a escola para buscar sua pasta.

A sensação de perda, de impotência, de fim-de-mundo, é indescritível, e é melhor mesmo ser esquecida.

São as tais dores do crescimento: não podemos cortar as asas de nossos “pajaritos” porque eles têm que crescer e aprender a voar, mas o nosso coração de pai ficará sempre nas mãos, enquando eles voam, serelepes, em direção ao domínio de seu quinhão de céu.

Vida longa!