A busca
Mais um sábado ( 19/4/2008 ) em Alcatraz Campinas, e acordo com uma obsessão: fazer uma moqueca. Esta seria a grande meta para o dia! Acontece que, além de ter que preparar um notebook para a equipe de vendas (o que estava por me consumir todo o fim de semana sem que eu fizesse idéia), eu precisa de alguma aventura culinária (vejam bem que eu não digo “gastronômica” porque o resultado não interessa muito, mas “culinária” que se refere ao processo mais que ao resultado deste).
Assim, elaborei uma pequena lista com os itens a adquirir no supermercado aqui perto do flat e saí super empolgado, com minha lista no bolso. Bem no estilo “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”.
No supermercado em que fui, ingenuamente (olha ela aí de novo) esperando encontrato tudo o que precisava (e nem eram tantos itens assim), não encontrei o principal: peixe fresco (o “fesco” aqui refere-se ao fato de ele ter sido capturado, torturado e morto há poucas horas, e não tem nenhuma conotação sexual). O supermercado só tinha peixe congelado e isso, para mim, não era uma boa saída. Sequer uma saída.
Bem, não encontrando o peixe, eu ficaria impossibilitado de fazer a moqueca, é claro, mas como eu já havia posto na cesta todos os demais ingredientes (e até descobri um tal de “colorífico” que é a mesma coisa que “coloral”) eu já tinha ido longe demais. Não podia parar! Estava decidido: eu IA fazer a porra da moqueca!
Ao retornar para o hotel, descobri que tinha um supermercado fresco Pão-de-Açúcar aqui perto, e algo me dizia que se eu precisava de algo fresco, era lá que eu iria encontrar. Parti, então, em busca do famigerado peixe.
Chegando lá… melhor, eu não vou entrar nos detalhes do atendimento porque não é o foco deste post. Mas que eu tinha sangue nos olhos ao ser atendido por aquela múmia aquele senhor de forma tão pasmaceira, lenta serena, isso eu tinha. Mas o ódio, o rancor e o desejo de matar um não são bons sentimentos para se nutir num post que fala justamente de paz e moqueca.
Consegui a muito custo, comprar uma posta de cação, que não era a minha preferência, mas a moça que ajudava a múmia o senhor me convenceu dizendo “até tinha robalo e abadejo, mas acabou tudo. Vendeu muito bem hoje!”. “Vendeu muito bem”?! Como assim? Que horas são? Putz!! São 14:30h! Como alguém em sã consciência espera encontrar peixe fesco às 14:30h, por mais fresco sofisticado que seja o supermercado? Sobrou a posta de cação e seria ele mesmo a vítima.
A preparação
Segui para o hotel, com meu pequeno tesouro, para iniciar o ritual de cozinhamento cozinhação cozimento.
Os preparativos podem ser conferidos na prova abaixo:
Uma rápida explicação (da esquerda para a direita):
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Panelas vaidosas que queriam sair na foto a todo custo, nem que fosse “pisando” no pobre coitado do prato que lá estava;
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Meio pimentão;
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Uma cebola e três tomates fazendo pose;
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Um maço de cheiro verde (não sabia que cheiro tinha cor até hoje – agora eu vejo a luz!);
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Um limão partido ao meio (ou duas bandas de limão, se preferir); não, não era para a capirinha;
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Escondidos ao fundo: camarão e cação; (não sei se foi timidez ou
cacaçomedo que os fez se esconderem na hora da foto);
Como o cação e o camarão estavam meio tímidos e o cheiro verde (?) era novidade para mim, eles mereceram um close exclusivo.
Agora, uma tomada invertida para ajudar a compreender a grandeza do espetáculo que se avizinha:
A aventura
Como não é só de preliminares que se vive o prazer, vamos às vias de fato.
Coloquei o peixe e o camarão de “molho” no suco do limão e deixei quieto. Eu não sei bem qual era o objetivo desta etapa, mas minha esposa disse que deveria ser assim e eu não sou louco de discutir com ela.
Enquanto o camarão e o cação descansavam no limão, eu parti para os vegetais. Eram eles: o pimentão, o tomate, a cebola e o tal do cheiro verde.
Comecei pela cebola: veja só (no canto inferior-direito da foto) o que sobrou da pobre cebola. Só a casca.
Não. Não foi só a casca. Eu descobri uma forma de se limpar a cebola antes de ralá-la: o segredo, para ela não desmontar na sua mão, é manter o “olho”(?!). Ou seja, a parte de onde saem as raízes você deixa, porque mantém as camada firmes para que você possa ralar sem que ela desmanche antes da hora. Assi, além da casca, sobrou o “olho” da cebola.
Agora é a vez do cheiro verde (!) entrar em cena e virar tempero de verdade.
Primeiro, a organização: cebolinha pronta para o abate e salsinhas ansiosas à espreita:
As salsinhas furaram a fila e se descabelaram para sair na frente:
Agora, finalmente, todas juntas, unidas num só tempero.
Após a preparação do que seria o tempero da moqueca, eu parti para a organização da panela. É… panela também tem que ter organização.
Então coloquei: azeite pra caralho, tempero arisco e colorau colorífico.
O arroz (que nem citei ainda porque era apenas um coadjuvante no meio de tantas estrelas) já estava quase pronto.
Devido ao fato de eu ter me atrapalhado do momento em que terminei de organizar a panela em diante, a única foto que tenho é da coisa já toda montada. Na foto abaixo só se consegue ver o resultado, mas por baixo há (na ordem de baixo para cima):
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Azeite com arisco e colorau colorífico;
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Posta de cação;
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Tempero;
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Camarão;
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Tempero;
Na sequência: fogo na panela!
Veja que a cozinha já estava organizadíssima, exceto por uma sobra de salsinha que eu realmente não sabia onde colocar (eu não aceito sugestões).
Cozinha arrumada, porque eu sou um amador mas sou limpinho.
Bem, nem tão arrumada assim, mas tudo lavadinho e pronto pra próxima.
O resultado, infelizmente, não foi registrado por imagens, mas posso dizer que ficou muito saborosa.
Algumas coisas eu aprendi nesta aventura:
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Não deixe para comprar peixe às 14:30h;
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Não use panela de alumínio para fazer moqueca (esta foi a primeira vez que eu preparei uma moqueca em panela comum de alumínio, e posso afirmar que há muita diferença daquela feita em panela de barro);
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Nunca deixe a salsinha para depois da cebolinha; as duas são muito competitivas e é
fodamuito difícil administrar o jogo de vaidades das duas;
Esta foi a aventura culinária do meu sábado.
Conte-me as suas aventuras culinárias também. E se quiser alguma dica de moqueca, é só dizer.
Vida longa!




Abril, 23 2008 às 04:28 |
auhauahuahauhauhauahuahauhauhu…..
Sensacional…. sensacional….
O melhor post que eu já li em um blog!!!
Cara…. isso renderia uma matéria na revista HUM ou na VIP!!!
Muuuuuuito legal…
Parabéns!
Eu não comeria sua moqueca, porque eu não gosto de moqueca…
Mas que ficou bonito, ficou bonito!
Abraços angolanos.
Rodris.
Abril, 23 2008 às 23:43 |
Rodris,
Muito obrigado, meu caro.
O que está escrito não é nada se comparado à diversão que esta empreitada me proporcionou naquele sábado aqui em Campinas (a despeito da distância da família).
Saludos,
Paris
Abril, 25 2008 às 13:02 |
Le Paris, Bocuse Internacinale,
Quanto tempo levou desde à efetivação das compras (matéria-prima) até o produto realizado (produto MANOfaturado)?
Vc foi eficaz ou eficiente??
Necessitou o uso de um programa tipo Project para analisar o custo total do desenvolvimento?
Abraços.