O escândalo do caixa 14

 

Ontem eu estive no Extra-perto que fica mais-ou-menos perto daqui do hotel em que vivo em Campinas para comprar algumas coisas que faltavam em minha cozinha.

Ao me aproximar do caixa a senhora que estava à minha frente começou conversar comigo, mostrando vários frangos na área de “escape” (aquela cestinha que fica antes do caixa, onde as pessoas depositam os produtos que desistiram, na última hora, de levar). Ela explicava que as aves eram congeladas e já estavam com a embalagem plástica molhada, o que indicava que eles estavam ali fazia um bom tempo.

A reclamação daquela senhora era bastante pertinente. Seu argumento era que, uma vez que o produto havia sido descartado por um cliente, ele deveria ser retornado o mais rapidamente possível para o balcão refrigerado. Caso isso não fosse feito logo, a ave poderia entrar em processo de decomposição e o próximo cliente que “sorteasse” a ave em sua escolha, levaria um produto que, apesar de estar no período de validade, não havia sido consevado adequadamente.

Aquela senhora ficou tão incomodada que se dirigiu ao caixa para informar à funcionária sobre suas observações.

A moça não deu muito conversa para a senhora, que voltou a reclamar comigo.

Eu já estava com o saco na lua por ter que ouvir aquela choradeira toda, mas por sorte o cavalheiro da frente foi atendido e chegou a vez da senhora.

A primeira coisa que ela disse à menina do caixa foi sobre o frango. A menina não sabia bem o que dizer, e resumiu com um: “eles passam de meia em meia hora para recolher os produtos deixados. Devem estar atrasados”.

A senhora fez troça dizendo: “Ah… em meia hora este frango já estará estragado”. E tentou retomar a discussão. Mas como a sua compra era pequena (apenas dois frangos congelados, iguais aos que estavam na cestinha do maldito caixa do lado), a menina já disparou:

“São ‘tantos’ reais, senhora”.

A tiazinha pagou e foi embora.

Agora eu vou ficar esperto quando voltar ao supermercado: se tiver frango na cestinha, troco de fila imediatamente.

Vida longa!

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