Ingenuamente eu poderia afirmar, simplesmente, que nos nossos dias está se tornando muito difícil conciliar as funções de pai, marido, profissional e "dono-de-casa". É, dono-de-casa, sim, porque quando eu estou no aconchego do meu lar, gosto de cuidar de minha família, apesar de que, ultimamente, os tenho submetido às minhas terríveis seções de aprendizado culinário (adivinhe quem são os "provadores"?).
Entretanto, mesmo correndo o risco de ser ingênuo, vou tentar levar a diante algumas reflexões que me têm incomodado.
Todo conteúdo que leio a respeito da vida, alerta para alguns fatos que estão se tornando comuns em nossa sociedade, mas parece que ninguém percebe.
Alertam-nos para:
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Cuidar do trabalho;
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Cuidar da família;
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Cuidar de si mesmo;
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Poupar dinheiro;
E mais uma infinidade de coisas com as quais "devemos nos preocupar", e às quais temos que dar atenção.
O problema é que o trabalho torna-se uma carnificina da qual sair vivo ao final de cada dia (que a cada dia se torna mais difícil de chegar) já pode ser considerada uma honrosa vitória. Cuidar da família, após sobreviver ao massacre do dia de trabalho, é mais algo como entregar o que sobrou de si àqueles em nome dos quais você faz "tudo isso".
Sem contar as inúmeras situações que nos levam a permanecer longos períodos longe da família, uma vez que o mundo globalizado nos leva para lá e para cá ao sabor dos ventos do dinheiro. Pra onde ele sopra, lá vamos nós.
Cuidar de si mesmo é algo sempre lembrado pelas políticas de RH das empresas, mas que, definitivamente, não condiz com as práticas diárias do ambiente organizacional (mas este ponto só vale para a Nova Zelândia). É algo como "ser cristão". Normalmente, vale para os outros.
Poupar dinheiro é uma arte, sem dúvida. Mas gerar uma necessidade que não existe e transformar as crianças em máquinas de desejos através de peças de marketing utilizando ferramentas psicológicas que se sofisticam em precisão e creldade a cada campanha dá muito mais retorno financeiro.
Desta forma, a humanidade está criando seu próprio inferno, onde as ilhas de paraíso são bolhas artificiais, onde tudo e todos têm um preço, onde você só vive o que se pode pagar.
Mas pode ser que eu esteja enxergando tudo com cores fortes demais. Uma vez vi em um documentário da TV algo que talvez explique este nosso momento. Dizia o estudioso que
em cada época a humanidade escolhe sua forma de nascer, viver e morrer
Dá o que pensar.
Vida longa!



