A decisão, a indecisão e o paradoxo


Há um dito popular (bem não sei se é tão popular assim, mas eu já ouvi alguns notáveis usando esta expressão) que diz: “Quem decide pode até errar. Quem não decide, já errou”. Entretanto, há um paradoxo nesta afirmação.
Partindo do princípio de que ninguém quer errar, a assertiva promove um trabalho “motivacional” no indivíduo. Sugere veementemente que ele decida, uma vez que, não decidindo, incorrerá em erro mais grave que tomando algum posicionamento.
A coisa começa a complicar se avaliarmos que o transmissor da mensagem, aparentemente, sugere a você que “erre”, mas “erre menos”. Decidir é uma forma de “errar menos”. Olhando por este ângulo, podemos pensar que ele está querendo te dizer que você deve relaxar; que deve entender que errar é humano, mas a estagnação é o pior de todos os erros. É quando a gente deixa o medo nos congelar. Mas, se por um lado, para fugir do “medo ruim” e partir para o “medo bom”, você tem que decidir; se o ato de decidir vai dividir a sua vida entre um erro (o de “não decidir”) e outro (o de “decidir” pela opção equivocada), você volta ao ponto em que estava no início. Ou seja, se eu não decidir, eu estou entre um tipo de erro e outro. Se eu decidir, eu também estou entre um tipo de erro e outro.
Para aliviar toda a carga emocional que uma eventual tomada de posicionamento pode nos trazer, o transmissor insiste na idéia de você não ser tão perfeccionista. Insiste em que você pode errar, pois é assim que a gente aprende; e que errar decidindo tem um valor, errar sem decidir tem outro, etc, etc, etc… Assim, polidamente, ele te diz: “Cara, decida! O resto que se exploda!”.
Bom, se eu não tenho que me preocupar com o “resto” e devo cometer erros em nome da tomada de decisões, posso muito bem, também sem me preocupar nem um pouco com o “resto”, errar simplesmente “não decidindo”.
Assim, chega-se à conclusão inequívoca de que, decidindo você erra, não decidindo você erra também, mas que você tem que decidir se vai decidir ou não.
Neste momento, lembramos que a natureza possui uma característica intrísseca que a direciona sempre à economia. A água sempre flui pelo caminho mais fácil, os pássaros se agrupam para facilitar a aerodinâmica e poupar energia durante longos vôos, os ursos hibernam para não consumirem desnecessariamente seus recursos caçando em uma temporada de escassez, e por aí vai.
Então, tomando como base o estudo acima, e acrescentando a premissa natural da economia, surge a pergunta: “Por que raios você tem que decidir?”
Você não vai errar do mesmo jeito? Decidir é uma ação, e consome energia que deve ser poupada. Por que decidir? Por que essa obsessão em errar de um jeito e não de outro? Por que o transmisso diz isso a você, quando poderia poupar seus comentários? São muitas as perguntas sem respostas…

Então, essa coisa toda pode ser encarada de uma nova maneira: “não decida”, erre do mesmo jeito, e colabore com a natureza.

Um abraço,
Paris

2 Respostas para “A decisão, a indecisão e o paradoxo”

  1. lucinaldo da costa e silva Disse:

    SE ERRAR FAZ PARTE DO APREDIZADO,POSSO TER UMA
    VIDA PLENA DE SABEDORIA?

  2. Chirley Maria Disse:

    …e quando minhas decisões interferem na vida de outras pessoas, devo me decidir em conjunto?

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