Era uma segunda-feira e eu me dirigia ao ponto de ônibus que fica próximo à igreja de São Judas. Minha missão era pegar o 675-A, que me deixa na frente do prédio em que trabalho.
A fila já contava com umas oito pessoas. A última delas, uma moça aparentando uns 23 / 25 anos, não parecia muito segura sobre estar na fila ou não. Então, eu a perguntei: “Você está na fila?”. Quando ela virou-se para me responder, eu percebi que seu ponto de equilíbrio mudava constantemente, obrigando-a a corrigir a sua vertical com agilidade. Sua resposta foi alguma coisa que eu não entendi, mas preferi acreditar que ela estava, sim, na fila. A questão da mudança do centro de gravidade, pelo que pude observar, devia-se ao cheiro de álcool que estava ao redor dela. Não posso afirmar com certeza se o álcool estava dentro dela, mas ao seu redor havia um forte odor da substância.
Alguns minutos em silêncio e a moça vira-se para mim, novamente, disparando: “Será que todo mundo aqui vai trabalhar?”.
Essa pergunta me fez pensar: “como alguém pode, às 8:00h, ter dúvidas sobre o destino de tanta gente que segue, em conjunto, um mesmo trajeto”. Afinal, era uma segunda-feira. Normalmente, às segundas-feiras às 8:00h, a maior parte da PEA (População Economicamente Ativa) encontra-se a caminho de seu trabalho.
E eu respondi que acreditava que sim.
Na sequência, veio a explicação: “É… ontem eu fui pro sambão… Você sabe como é, né? Sambão é foda!”. Neste momento tudo ficou claro… o álcool estava dentro dela, sim. Não estava ao redor. E ela estava embriagada (bêbada, chapada, ou coisa que o valha).
Eu respondi “é… eu acho que posso imaginar…” meio sem-graça. Pois não sabia direito como conduzir aquela conversa.
Ela entrou no ônibus e desceu dois pontos depois.
Seu centro de gravidade continuava oscilando… Ela, realmente, parecia bêbada.
Sambão é foda!
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Escrito por Luciano Paris 
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