Eu quero justiça. Depressa!

Janeiro, 21 2007
Tenho um processo na justiça de São Paulo faz sete anos.

Sete anos, sete primaveras, sete carnavais, quase quatro biênios, quase dois quadriênios, mais de meia década. Qualquer que seja a unidade de medida, é muito tempo!

Nestes sete anos muita coisa aconteceu: perdi um cunhado, perdi um tio-avô, perdi um tio paterno, perdi minha avó paterna, perdi meu avô materno, quase perdi meu irmão. Nestes sete anos eu também tive coisas boas: amadureci um pouco, ganhei alguns fios de cabelo branco, presenciei os primeiros sinais de que minha filha não era mais o “meu bebê”, assisti às perdas de vários dentes de meu filho, apaixonei-me diversas vezes por minha esposa, fiz minha faculdade, troquei de emprego, mudei de endereço duas vezes, mudei de opinião milhares delas.

Nestes sete anos, eu assisti a coisas muito feias pela TV, como o atentado às torres gêmeas, as gerras do Iraque, a um piloto de helicóptero recebendo autorização para matar “suspeitos” que o ameaçavam conversando a quatro quilômetros de distância no meio do deserto, vi o tsunami na Indonésia.

Em sete anos eu vivi uma vida. Mas uma vida apenas não é suficiente para que um processo tramite pelos corredores fedidos de nossas instituições. Sete anos não é tempo suficiente para que um juiz tenha a dignidade de convocar-me para uma audiência. Sete anos não são muita coisa,nas pilhas de documentos empoeirados, manipulados por profissionais (?) também empoeirados. Empoeirados de corpo e de alma.

Realmente, eu não consigo compreender. Faço as contas e não bate: trabalhei em tantos projetos, colaborei com tantos colegas, ajudei em tantas frentes de trabalho, e me realizei tanto!! Por que meu processo não anda?

Durante esse tempo, eu paguei muito, mas muito imposto mesmo! E sempre em dia! Sabe por quê? Porque se eu não pagar em dia, eu passo a ser perseguido pelo mais implacável credor: o Estado! Sabia? Provavelmente você já sabia. O engraçado da história é que essa sagacidade para cobrar tem o fútil objetivo de remunerar o cavalheiro empoeirado que lê o seu jornal pela manhã e navega pela web durante a tarde indiferente ao clamor da pilha de papéis na qual se encontra, miudinho, bem debaixo de todos, o conjunto de minha demanda.

Isso é o lado engraçado. O triste é que essa história é com “H” mesmo. O desesperador é que, enquanto os anos passam, eu não posso oferecer aos meus filhos a tão sonhada casa em que eles finalmente poderiam ter um cachorrinho; aguardo a finalização do processo para tocar minha vida; aguardo para pegar meu dinheiro de volta e poder dar a ele o destino que melhor atender à minha família.

Ocorre que a vida não espera a preguiça e má-vontade do judiciário. A vida segue! A vida continua até o fim. Mais sete anos e meus filhos estarão no colegial; talvez eu tenha perdido outros entes queridos, e os que restaram certamente estarão mais velhos; eu terei mais rugas; terei menos tempo. Talvez não haja mais sete anos.

Eu quero justiça. Depressa!

PS: é mentira que eu sempre paguei os impostos em dia. Já atrasei alguns dias em duas ou três ocasiões.