Sete anos, sete primaveras, sete carnavais, quase quatro biênios, quase dois quadriênios, mais de meia década. Qualquer que seja a unidade de medida, é muito tempo!
Nestes sete anos muita coisa aconteceu: perdi um cunhado, perdi um tio-avô, perdi um tio paterno, perdi minha avó paterna, perdi meu avô materno, quase perdi meu irmão. Nestes sete anos eu também tive coisas boas: amadureci um pouco, ganhei alguns fios de cabelo branco, presenciei os primeiros sinais de que minha filha não era mais o “meu bebê”, assisti às perdas de vários dentes de meu filho, apaixonei-me diversas vezes por minha esposa, fiz minha faculdade, troquei de emprego, mudei de endereço duas vezes, mudei de opinião milhares delas.
Nestes sete anos, eu assisti a coisas muito feias pela TV, como o atentado às torres gêmeas, as gerras do Iraque, a um piloto de helicóptero recebendo autorização para matar “suspeitos” que o ameaçavam conversando a quatro quilômetros de distância no meio do deserto, vi o tsunami na Indonésia.
Em sete anos eu vivi uma vida. Mas uma vida apenas não é suficiente para que um processo tramite pelos corredores fedidos de nossas instituições. Sete anos não é tempo suficiente para que um juiz tenha a dignidade de convocar-me para uma audiência. Sete anos não são muita coisa,nas pilhas de documentos empoeirados, manipulados por profissionais (?) também empoeirados. Empoeirados de corpo e de alma.
Realmente, eu não consigo compreender. Faço as contas e não bate: trabalhei em tantos projetos, colaborei com tantos colegas, ajudei em tantas frentes de trabalho, e me realizei tanto!! Por que meu processo não anda?
Durante esse tempo, eu paguei muito, mas muito imposto mesmo! E sempre em dia! Sabe por quê? Porque se eu não pagar em dia, eu passo a ser perseguido pelo mais implacável credor: o Estado! Sabia? Provavelmente você já sabia. O engraçado da história é que essa sagacidade para cobrar tem o fútil objetivo de remunerar o cavalheiro empoeirado que lê o seu jornal pela manhã e navega pela web durante a tarde indiferente ao clamor da pilha de papéis na qual se encontra, miudinho, bem debaixo de todos, o conjunto de minha demanda.
Isso é o lado engraçado. O triste é que essa história é com “H” mesmo. O desesperador é que, enquanto os anos passam, eu não posso oferecer aos meus filhos a tão sonhada casa em que eles finalmente poderiam ter um cachorrinho; aguardo a finalização do processo para tocar minha vida; aguardo para pegar meu dinheiro de volta e poder dar a ele o destino que melhor atender à minha família.
Ocorre que a vida não espera a preguiça e má-vontade do judiciário. A vida segue! A vida continua até o fim. Mais sete anos e meus filhos estarão no colegial; talvez eu tenha perdido outros entes queridos, e os que restaram certamente estarão mais velhos; eu terei mais rugas; terei menos tempo. Talvez não haja mais sete anos.
Eu quero justiça. Depressa!
PS: é mentira que eu sempre paguei os impostos em dia. Já atrasei alguns dias em duas ou três ocasiões.
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Escrito por Luciano Paris 


