Seguindo o meu caminho, somo impressões que são contaminadas por minhas próprias convicções. Sou contaminado e contamino. Já não sou o mesmo. O mundo já não é o mesmo por minha ação, e mesmo por minhas omissões.
Meu olhar é o ponto em que tudo faz diferença. Se miro atentamente, ou se faço olhos baços, posso mudar o mundo inteiro.
Seguimos mudando, mudando o que somos, ou o que pensamos que somos, em algo que pensamos ser novo. Nada muito diferente do que já está estabelecido, mas o suficiente para nos desconhecermos sob certos aspectos.
Tenho passado por uma torrente de fatos que têm mudado sobremaneira a minha vida. A princípio, só percebo a mudança na rotina, nas coisas imediatas que devem ser executadas. Mas sei que já não sou o que era. Mas só o perceberei com alguma clareza daqui a algum tempo. Ainda não posso analisar essa nova criatura da qual sou eu mesmo criador. Mas o tempo não pára para que analisemos. Nem sei se seria importante que isso ocorresse.
Cá estou eu, a escrever-vos. De meu silêncio surgem algumas opniões que me atrevo a compartilhar com vocês. Sem pensar muito, sem muita análise. Só um sentimento.
Sigamos, portanto, nesta nave solitária, neste ponto insignificante no espaço e no tempo, tentando fazer com que nossa fugaz existência tenha algum sentido. Não nos esqueçamos que o indivíduo, a “indivisível dualidade”, só tem algum sentido diante do outro. Não há sentido no elemento humano “em si”. Não há sentido no ajuntamento de coisas. Só encontramos sentido naquilo que o outro nos devolve. Somente diante do outro eu posso ser eu.
E posso ser eu, ainda que já o seja de uma maneira totalmente diferente, pois, como disse Eráclito de Éfeso: “…um homem jamais se banha duas vezes no mesmo rio, pois da próxima vez nem ele nem o rio serão os mesmos…”, por aquilo que sei de mim vindo de vocês mesmos.
Um abraço,
Paris
Escrito por Luciano Paris 


