Os dias correm e o homem corre ao mercado para trocar. Ele troca sua alma por um pedaço de espelho ou por um objeto qualquer que brilha. Ele barganha a felicidade de sua cria por alguns momentos de descompromisso. Entrega a construção de uma individualidade ao que é externo a ele mesmo e ao seu núcleo de convívio.
O homem troca. O homem se rende. O homem apaixona-se pelos pedaços de espelho. E, devota sua vida a adquirí-los e a ajuntá-los sob o título de patrimônio. O homem troca a única vida que conhece por um monte de quinquilharias para garantir a sua velhice. O homem não faz nada pois não tem tempo; o homem engana o seu irmão e fica feliz quando consegue.
O homem é o equívoco da natureza.
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Escrito por Luciano Paris
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